O governo dos Estados Unidos lançou recentemente um novo programa imigratório chamado Gold Card, criado pelo presidente Donald Trump em setembro de 2025. A proposta tem gerado grande repercussão no cenário internacional. Principalmente porque representa uma importante mudança no modo como estrangeiros com alto poder econômico podem obter residência permanente no país.
Diferentemente do já conhecido visto EB-5, que exige investimentos em negócios norte-americanos e criação de empregos, o Gold Card se baseia em uma doação direta ao governo. Esse modelo levanta debates sobre benefícios e riscos, mas também desperta o interesse de milhares de pessoas que desejam conquistar o sonhado Green Card.
O que é o Gold Card e como ele funciona
O Gold Card é uma via acelerada de imigração para estrangeiros dispostos a contribuir financeiramente com o Tesouro dos Estados Unidos. Nesse sentido, para indivíduos, o valor exigido é de 1 milhão de dólares. Por outro lado, no caso de empresas que desejam patrocinar funcionários, o valor sobe para 2 milhões de dólares por empregado.
Após a solicitação, o interessado passa por uma análise conduzida pelo Departamento de Segurança Interna (DHS). Se aprovado, deve realizar a doação estipulada para então receber o Gold Card. O governo defende que o programa é mais transparente e menos vulnerável a fraudes do que o EB-5. Já que não envolve retornos financeiros, riscos de negócios ou exigência de geração de empregos.
Relação entre o Gold Card e o EB-5
O EB-5 sempre foi uma das principais portas de entrada para investidores que buscavam o Green Card. No entanto, o programa ganhou fama por problemas de fraude e ineficiência. A proposta de Trump com o Gold Card, portanto, é substituir ou reformular o EB-5, simplificando o processo.
Enquanto o EB-5 exige comprovação de investimento ativo e criação de pelo menos dez empregos, o Gold Card transforma o processo em uma doação irreversível. Essa diferença, segundo o governo, torna o programa mais rápido e menos burocrático. No entanto, críticos afirmam que ele cria um sistema em que apenas os mais ricos podem “comprar” o direito de morar nos Estados Unidos.
Modalidades do Gold Card e o Platinum Card

O programa também inclui a versão corporativa, chamada Corporate Gold Card. Ou seja, nesse modelo, empresas podem pagar a contribuição de 2 milhões de dólares para garantir a residência permanente de seus funcionários estratégicos. Existe ainda a proposta de um Platinum Card, que permitiria ao portador viver até 270 dias por ano nos Estados Unidos. Isso sem sofrer tributação sobre rendimentos obtidos fora do país. Esse modelo, no entanto, ainda está em fase inicial e funciona apenas por lista de espera.
Adesão e interesse internacional
Mesmo antes da implementação total, o Gold Card já despertou enorme interesse. Relatórios apontam que cerca de 70 mil pessoas se inscreveram na lista de espera em poucas semanas. Isto é, esse número revela a demanda reprimida por soluções mais rápidas de imigração. Principalmente entre estrangeiros de alta renda que buscam estabilidade, segurança e oportunidades no território norte-americano.
Críticas e questionamentos legais
Apesar do entusiasmo inicial, especialistas levantam dúvidas sobre a constitucionalidade do programa. A criação de uma nova categoria de visto por ordem executiva, por exemplo, pode enfrentar obstáculos jurídicos. Afinal, o Congresso tem poder decisório sobre limites e quotas de imigração. Também não está claro de que forma o Gold Card afetará as filas já existentes para categorias como EB-1 e EB-2.
Além disso, críticos argumentam que o modelo privilegia apenas os ultrarricos. Isso pode abrir espaço para problemas como lavagem de dinheiro e entrada de fortunas sem contribuição efetiva para a economia local. Organizações de análise de políticas públicas também destacam que o programa pode enfraquecer o princípio de meritocracia que, historicamente, orienta parte da política imigratória dos EUA.
O futuro do Gold Card

Embora ainda cercado de incertezas, o Gold Card já está mudando a forma como se discute imigração nos Estados Unidos. Se implementado plenamente, o programa pode acelerar a entrada de investidores de grande porte no país. Consequentemente, gerar recursos imediatos para o Tesouro e, talvez, substituir definitivamente o EB-5.
Por outro lado, é possível que ele enfrente resistência judicial, política e social. Até que as regras estejam completamente definidas, potenciais interessados devem acompanhar de perto as atualizações oficiais e avaliar os riscos envolvidos antes de optar pelo programa.
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