*Produção da jornalista Deivianne Jhasper, que atua na assessoria de imprensa da Premium Global Mobility Partner.

O governo dos Estados Unidos entrou na quarta semana de shutdown. Isso se deu à falta de acordo entre democratas e republicanos no Congresso sobre a aprovação do orçamento federal. Segundo o Escritório de Orçamento do Congresso (CBO), aproximadamente 750 mil a 900 mil funcionários públicos foram temporariamente afastados de suas funções.

Atividades consideradas essenciais, como segurança nacional, saúde, defesa e controle de fronteiras, permanecem em operação. No entanto, outros serviços foram afetados, o que levanta dúvidas sobre os impactos para quem vive, trabalha ou pretende imigrar para os EUA.

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Para o especialista em imigração e direito internacional Bruno Lossio, o cenário exige atenção. No entanto, não deve gerar pânico entre os imigrantes ou candidatos a visto. “A situação da imigração, inevitavelmente, sofrerá impactos. Embora o USCIS se autofinancie através das taxas dos serviços prestados e funcione de forma independente, a dinâmica imigratória poderá apresentar lentidão em alguns processos. Acreditamos que, na prática, os serviços essenciais, como os prestados pelo ICE e pelo CBP, serão preservados. O mesmo ocorreu em situações anteriores no governo americano”, explica.

O ICE (Immigration and Customs Enforcement) é a Agência de Imigração e Alfândega dos EUA, responsável pela fiscalização imigratória interna e deportações. Já o CBP (Customs and Border Protection) é a Agência de Alfândega e Proteção de Fronteiras. Ela é encarregada de controlar a entrada e saída de pessoas e mercadorias em portos, aeroportos e fronteiras terrestres.

O Serviço de Cidadania e Imigração dos Estados Unidos (USCIS) continua operando. A agência é majoritariamente financiada pelas taxas pagas pelos solicitantes, e não pelo orçamento federal. Isso lhe confere uma vantagem significativa em momentos de paralisação. Ainda assim, o órgão pode registrar atrasos pontuais devido à interrupção de serviços complementares em outras agências ou à redistribuição de pessoal interno.

Por outro lado, o Departamento do Trabalho (DOL) suspendeu temporariamente as funções relacionadas à imigração. Isso inclui o processamento de pedidos de Prevailing Wage, certificações PERM e Labor Condition Applications (LCA). Esses procedimentos são exigidos em vistos de trabalho e em processos de residência permanente baseados em emprego, como o H-1B e o EB-3, por exemplo. Estes estão paralisados desde o início do shutdown. O sistema eletrônico FLAG, usado para essas solicitações, também foi desativado até que o orçamento seja aprovado.

O sistema E-Verify, usado por empregadores americanos para confirmar a elegibilidade de estrangeiros ao trabalho, foi igualmente suspenso. Nesse período, empregadores devem continuar preenchendo o formulário I-9, mas terão de atualizar o E-Verify assim que o sistema for reativado. “Essas interrupções criam um efeito dominó. Mesmo que o USCIS funcione, muitos processos dependem de certificações do Departamento do Trabalho. Então, pedidos que estavam em fase de análise podem atrasar semanas ou até meses”, afirma Lossio.

shutdown nos Estados Unidos
Funcionamento do USCIS garante uma certa estabilidade ao sistema imigratório (Freepik)

O especialista reforça que o funcionamento do USCIS garante uma certa estabilidade ao sistema imigratório. Porém, ressalta que o planejamento é essencial para quem pretende iniciar ou dar continuidade a um processo migratório. “É importante manter todos os documentos atualizados e acompanhar comunicados oficiais. Bem como considerar a possibilidade de atrasos antes de marcar viagens, entrevistas ou prazos profissionais que dependam do status imigratório”, orienta.

Segundo Lossio, os serviços consulares, como a emissão de vistos de turismo (B-1/B-2) e de estudante (F-1, J-1), continuam operando. Afinal, também são financiados pelas taxas pagas pelos solicitantes. No entanto, mesmo esses serviços podem enfrentar atrasos e reagendamentos, especialmente se o shutdown se prolongar ou se houver limitação de pessoal.

Em contrapartida, os processos conduzidos pelo USCIS dentro dos Estados Unidos, como pedidos de ajuste de status e autorizações de trabalho (EADs), tendem a seguir normalmente. No entanto, podem sofrer impactos indiretos caso dependam de verificações externas de outras agências federais.

Em comunicado, o ICE afirmou que “nenhuma mudança ocorrerá nas políticas de fronteira”. O órgão do governo ainda classificou como falsas as alegações de que o shutdown facilitaria a entrada de imigrantes ilegais nos Estados Unidos.

O que muda na prática

Durante o shutdown, o funcionamento do sistema imigratório norte-americano varia conforme o tipo de serviço:

  • USCIS (Serviço de Cidadania e Imigração): segue operando, financiado pelas taxas de solicitação, mas pode registrar lentidão pontual.
  • Departamento do Trabalho (DOL): paralisado — sem emissão de certificações laborais, Prevailing Wage, PERM e LCA.
  • E-Verify: desativado temporariamente, sem previsão de retorno.
  • ICE (Imigração e Alfândega) e CBP (Proteção de Fronteiras): continuam em plena atividade, consideradas funções essenciais de segurança nacional.
  • Consulados e serviços de visto: seguem funcionando, mas podem enfrentar atrasos e reagendamentos dependendo da duração da paralisação.

Deivianne Jhasper é jornalista, assessora de imprensa e especialista em comunicação para advogados. Atuou como repórter multimídia em afiliadas da TV Gazeta e do Canal Futura (Fundação Roberto Marinho). Ao longo de 16 anos de carreira, fortaleceu marcas, proporcionando a profissionais reconhecimento e posicionamento estratégico. Ao mesmo tempo em que os conecta de forma positiva com o público certo.

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